Ana:Um azul no céu
João: Vários verdes nas folhas
Ana: Um céu absurdamente azul
João: Um azul absurdamente azul
Ana: Os verdes A-B-S-U-R-D-A-M-E-N-T-E lindos
João: Os verdes tão verdes
Ana: Que com os raios de sol ficam a cintilar a alegria
João: E o desejo...
Ana: E os desejos...
João: E os meus olhos retribuem, é claro.
Ana: Brilhando como brilham os olhos de uma criança.
João: Ao ver um sorvete?!
Ana: Não. Como brilham naturalmente mesmo. Ao ver o sol, ao ver o céu.
João: Ah, sei. Assim como os meus brilham ao te ver.
Ana: é.
domingo, janeiro 10, 2010
Porque é assim
quarta-feira, dezembro 09, 2009
Esperando por Godot II

Contando os grãos de areia
E comendo uma pêra
que,
Facilmente trocaria por uma nêspera.
Contando os grãos de areia
E comendo pêra
Desvio a atenção de que
Hoje é véspera
Assim, desvio o pensamento e omito que
Amanhã é véspera
Divirto-me por ter esperança
E lembro-me de esquecer que
Depois de amanhã também é véspera
Um dia de sol,
Outro de chuva
E eu n'êspera.
terça-feira, dezembro 01, 2009
O cacto Clarice
-Eu fui bem claro, disse que queria um cacto - Repetia sozinho indignado na varanda cor de anis.
No dia em que ganhou Clarice, a plantinha, ele ficou feliz. Foi após a visita do João-pé-de-cana que o dono da plantinha passou a ignorá-la.
- Essa é a Clarice, minha flor de cacto favorita – Disse com um sorriso bem forte no rosto, apresentando a Clarice para João-pé-de-cana .
- Mas isso não é um cacto, essa planta mais me parece com aquela espécie comigo-ninguém-pode - João-pé-de-cana comentou com toda a sua ilucidez.
O dono da plantinha, que ficou cego após um acidente no trabalho, acreditou no julgamento do João-pé-de-cana. Ele tem olhos bons e pode ver que essa planta não é um cacto- pensou. Após nove dias, o cacto Clarice morreu.
-Tio, cadê a Clarice?- a sobrinha de oito anos perguntou durante uma visita.
-A Clarice não era o que eu pensava. Ela era um comigo-ninguém-pode e não um lindo cacto- respondeu o ex-dono da plantinha com o semblante fechado.
-Comigo-ninguém-pode? Pelos meus conhecimentos, comigo-ninguém-pode não tem espinhos, já a Clarice os têm!-Argumentou a pequena sobrinha- Onde está ela? Se a sentir com as mãos, se fizer um carinho, sentirá os seus espinhos finos coloridos.
-Clarice morreu- O ex-dono da Clarice respondeu com um semblante murcho.
terça-feira, julho 07, 2009
Se o Amor come, a Esperança também come.
A esperança comeu o meu tempo,
Minhas idéias,
Meus poemas
Comeu lembranças,
Momentos,
Viagens
Ainda comeu o meu grafite,
Minha caneta,
Meu papel
E, por fim,
Comeu também
As minhas palavras,
quarta-feira, abril 15, 2009
Sintaxe
Eu sou como eu sou: sujeito!
Ora simples,
Ora complexo.
Sujeito apenas,
Porque não?
Não quero o comodismo de sentir as mesmas sensações.
Não desejo ser tão comum a mim mesmo
A ponto de saber descrever-me por inteiro.
Sou o sujeito da sintaxe
Da minha vida.
Sintaxe,
Sinta-se sujeito da sintaxe.
Sinta a vida
Sinta-se em casa.
domingo, março 08, 2009
Da liberdade de viver
Já observou que a vida é como se fosse um balão?
Boooom!
E acabou.
Ela disse, em meio a um velório.
domingo, junho 08, 2008
O dia em que o sol sorriu
Trim-trim-trim.
Correu para atender o telefone e, dessa vez, era o tal telefonema que estava esperando há semanas. Uma oportunidade! Nada poderia dar errado. Seria um fiasco fracassar pela nona vez. Confirma o encontro – Sim, perfeito, às dezesseis horas em frente ao teatro - Ele queria planejar tudo, mas não era fácil prever a reação de Ana.
O latido incessante das cachorras da casa ao lado, o funk no último volume tocando no bar da frente, os fiscais da vida alheia: nada, nada disso atrapalharia o estado de felicidade daquele jovem estudante de filosofia.
Quinze horas e cinqüenta e cinco minutos. Preso no engarrafamento. O surgimento das especulações foi imediato – Deve ter sido acidente com moto; é a obra que o governo está fazendo; blá-blá-blá...Ele detestava ouvir esses tipos de comentários. É incrível como o ambiente de ônibus aguça alguns assuntos descartáveis, imbecis, ele pensava. Todos os passageiros falando ao mesmo tempo – Vou chegar atrasado ao trabalho; gostou do final da novela?; meu filho está me esperando na escola; o engarrafamento é culpa do sistema político em que vivemos; blá-blá-blá.
Aqueles comentários conseguiram irritar o rapaz. Ele abre a janela e depara-se novamente com aquele sol sorridente, um sol filosófico. As vozes dos passageiros transformaram-se em apenas vultos para os ouvidos do rapaz. Boceja, relaxa.
Algo muda quando Ana está presente. Uma timidez profunda o invade. Não conseguia manter um comportamento natural – ela é sublime,ele pensa – Tampouco sabia se ela percebia tal mudança. Lá estava ela. Linda. Vestido vermelho. Sapato preto. A intelectualidade de ambos quase sempre atrapalhava. Literatura, filosofia, política, economia marcavam presença em todas as conversas. Ana, no fundo, sabia que aquelas conversas eram um pretexto...Divertia-se com a falta de jeito do rapaz. Ele aproxima-se de Ana, não diz nada. Segura a mão esquerda da moça. Ela igualmente calada. Tímida. Mãos molhadas de suor. Ana prepara-se, desajeitada, para romper o silêncio – estava lendo Foucault – Xiiiiiii – o rapaz pede carinhosamente que ela não diga nada. Não precisava. Eles se aproximam lentamente e Biiiiiiiiiiiiii-biiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii.
Buzina de ônibus não tem um som muito agradável. Ele acorda assustado. Ainda no engarrafamento, sentado dentro daquela merda de ônibus e mais blá-blá-blá.- batida de carro, só podia ser mulher; tão nova e tão bonita; Imagina a mãe quando souber-. Comentários imbecis. Impaciente, olha o relógio. Dezesseis horas e trinta e três minutos. O celular da Ana estava desligado.Um vendedor de balas entra no ônibus – um por cinqüenta centavos e 3 por "dois real" – não entendeu a promoção ou estava impaciente demais para fazer contas.- o que houve ali na rua?- O motorista perguntou ao vendedor. -Foi uma batida, uma jovem morreu.-o vendedor respondeu.
No dia seguinte, o jovem estudante de filosofia chegou à capela Nossa Senhora das Moças, segurou as mãos de Ana. Não disse nada, simplesmente a beijou pela primeira e última vez.
quinta-feira, maio 01, 2008
Aceita um café?
Cantando silenciosamente uma canção
Abro a porta de casa,
Sento no sofá
Tomo o meu café meio amargo,
como de costume.
da memória um sorriso surge.
Por hoje, as lembranças são ótimas companhias.
sexta-feira, abril 18, 2008
Dica de leitura:
Livro: Walden, Henry David Thoreau.
"As nações são possuídas pela louca ambição de perpetuarem a sua memória com a soma das esculturas que deixam. Que tal se esforços semelhantes fossem despendidos no sentido de aperfeiçoar e polir a sua conduta? Uma obra de bom senso seria mais memorável que um momumento da altura da Lua. Prefiro contemplar as pedras no seu local de origem."
domingo, março 30, 2008
terça-feira, março 18, 2008
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